Desde o último dia 15, os Estados Unidos tem enviado ajuda humanitária ao Haiti em decorrência do terremoto de magnitude 7 na escala Richter que arrasou o país caribenho. Segundo o Yahoo!, os americanos enviaram um porta-aviões com 19 helicópteros, 51 leitos de hospital, três salas de operações cirúrgicas e capacidade de produzir água potável e refeições. França, Canadá, Cuba, México, Brasil e outros países também estão prestando assistência ao Haiti.
Como vem sendo amplamente divulgado na mídia, o Haiti é o país mais pobre da América Latina. Estima-se que 80% da sua população vive abaixo da linha da pobreza. O que pouco se vê nos jornais é a explicação de como esse país chegou a este cenário de miséria, que ficou mais grave ainda por conta do abalo sísmico. A explicação para tanta pobreza está no processo de formação dessa nação.
No século XVI, após ser descoberto por Colombo, o Haiti se tornou colônia da Espanha. A dominação espanhola se estendeu até 1697, quando o país se torna colônia da França. A independência só viria em 1804, com a expulsão dos franceses.
Mesmo independente, o Haiti nunca conheceu um quadro político estável. O país teve uma série de governantes/ditadores que acabaram depostos por golpes ou assassinados. Chegou até a sofrer uma intervenção militar dos EUA em 1915. Em 1957, chega ao poder o ditador François Duvalier, que foi implacável na perseguição e na tortura aos seus opositores. Com sua morte, assume seu filho Jean Claude Duvalier que fica no poder até 1986, quando foi deposto por um golpe militar. Em 1990, quando o país parecia caminhar rumo à democracia, com a eleição de Jean Bertrand Aristide, ocorre mais um golpe militar. Aristide só voltaria ao poder em 1994. Com um histórico político tão conturbado, é claro que o quadro sócioeconômico do Haiti é delicado. O país possui os piores índices sociais de toda a América Latina.
A pergunta que fica é: por que só agora, com essa recente desgraça que se abateu no país, os demais países voltaram seus olhos para o Haiti?
França e Espanha tem obrigação moral de ajudarem a sua ex-colônia. Os EUA, com um extenso currículo de intervenções em outros países, precisa provar que não faz interferências só quando é movido por interesses próprios.
O terremoto no Haiti não destruiu apenas prédios e estradas. Ele destruiu também o resto de esperança que o povo haitiano tinha em ver seu país livre da miséria. O Haiti não precisa apenas de ajuda humanitária. Mais do que isso, esse país precisa conquistar a sua dignidade. Isso começa a partir de uma divisão de riquezas mais justa que diminuiria a pobreza e melhoraria as condições sociais e econômicas da população. Mas uma divisão de riquezas implica em menor lucro para as grandes potências e suas empresas globais.
Ou seja, o Haiti vai ter que esperar. O lucro está acima de tudo. Infelizmente.





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